fev 14

“De certo é muito comum encontrarmos igrejas localizadas entre prédios e casas. Alegria para muitos e desespero para outros. O fato é que o som alto tem sido alvo de críticas por parte de quem mora ou trabalha perto de uma igreja.”

Crente Barulhento

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De certo é muito comum encontrarmos igrejas localizadas entre prédios e casas. Alegria para muitos e desespero para outros. O fato é que o som alto tem sido alvo de críticas por parte de muitos que moram ou trabalham perto de uma igreja.

Músicos exacerbam na altura do volume dos instrumentos, pastores gritam ao evangelizar, e o vizinho, incomodado, reclama e continua a pensar que o “crente” é mesmo alienado, ignorante ou perturbado.

Em princípio não se discute a forma do agir do Espírito Santo. De certo cada um possui sua forma de louvar, de adorar ou pregar. Pessoas são abençoadas com dons que são externados sob o agir de Deus. Evangeliza-se cantando, falando baixo ou alto, através de testemunhos e até mesmo no silêncio. O que resta é a sensibilidade para usarmos os dons que estão ao nosso dispor. Jesus ao evangelizar se utilizava muitas vezes de parábolas, uma forma de não agredir o entendimento de quem o ouvia. É natural a vontade do Cristão em querer pregar. Ide e Pregai, portanto, um dever sagrado: Espontânea manifestação daqueles que provaram o amor de Deus e querem que o próximo também seja, assim, agraciado.

Após nos convencermos da alegria, da importância e do dever de pregar, passamos para a reflexão quanto à forma de exteriorizarmos a palavra de Deus. Alguns entendem que pelo fato de existir tal ordenamento (Ide e Pregai), devemos então sair abordando as pessoas e “obrigá-las” a aceitar Jesus. Muitas vezes obtemos o efeito inverso do pretendido. Assustamos as pessoas e elas simplesmente se fecham, não conseguindo abrir seus corações para preenchê-los com o amor Deus.

Crente Barulhento - Artigo I

Se observarmos na bíblia as condutas de Jesus teremos o privilégio de observar a sensatez como ele tratava até mesmo as meretrizes. Portanto, devemos buscar em Deus a sensibilidade e sabedoria para não invadirmos o íntimo do nosso próximo, mas sim desenvolvermos ambientes adequados para tocarmos o coração deste.

O respeito à liberdade auditiva do nosso vizinho independe do tipo de música que está sendo produzida. Em recente discussão do assunto na Câmara Municipal de Fortaleza, pastores defendiam a tese de que, pelo fato de estarem divulgando a Boa Nova, seria lícito a “ilimitação” do volume emitido pelas igrejas. Alegavam ainda que o governo nada fazia com shows que aconteciam em áreas da região metropolitana; que existiam crimes muito mais graves para se preocupar, nos quais os criminosos eram impunes.

Crente Barulhento - Artigo III

Tal visão é extremamente limitada. Primeiramente analisemos o assunto sob o fulcro da natureza jurídica: Não é pelo fato de existirem crimes mais severos que devemos desconsiderar ou esquecer o crime mais brando. Não é pelo fato que um homicida não é preso que devemos nos achar no direito de furtar, crime este considerado mais leve por ser contra o patrimônio. O fato de existir impunidade em relação às casas de shows, que praticam poluição sonora, ou de existir criminosos em liberdade, não nasce a justificativa ou a permissão para que pratiquemos os crimes ou contravenções que entendemos inofensivos ou insignificantes.

Fazendo uma analogia ao pecado, alguns gostam de hierarquizar, pecado versus pecadinho. Viver em sociedade é respeitar o próximo, que não é obrigado a sofrer prejuízos devido a uma exacerbação de um vizinho ou de uma igreja vizinha, como é o caso em comento. Tal direito é constitucional e na seara jurídica assim fundamentamos.

Partimos para reflexão bíblica do tema, quando em princípio podemos citar uma frase que nós cristãos comumente falamos “A COMEÇAR EM MIM…”, logo não podemos diante deste aforismo dizer que pelo fato dos outros praticarem iniqüidades nos também podemos.

Crente Barulhento - Artigo II

Falar sobre Deus é um presente. Ele é o próprio amor e a razão de estarmos reunidos. Não só o caminho, mas a vida em nossas vidas. É Quem nos levará à vida eterna. É preciso apenas sensibilidade vinda do alto. Temos que evangelizar e isso significa pregar e não gritar a palavra de Deus. Desse modo, não queremos tolher o evangelismo e o louvor, até porque a adoração requer a liberdade de extravasamento do amor; portanto, um sentimento que regra humana nenhuma é capaz de interferir.

Ocorre, que muitas vezes, com boas intenções, acabamos prestando um contra testemunho. Desta feita, contribuímos para que milhares de pessoas se afastem de Deus e ainda continuem pensando que ser crente é ser alienado, quando na verdade é um chamado, um presente de Deus.

Reservemos então em nossas orações um tempo para despertarmos os nossos corações diante da forma que devemos respeitar o irmão e de como podemos ser sensíveis ao dom de cantar e falar do amor de Deus…

Sejamos, pois, fontes que brotam a verdadeira liberdade inspirativa de quem ama o próximo e a si mesmo.

Renato Carvalho Borges
Coordenador do Ministério Água Viva
Email: renato@aguaviva.org.br

Este estudo tem continuação. Publicação em Fevereiro de 2008.

escrito por Musse Jereissati
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3 Respostas para “Crente Barulhento”

  1. 1. Carlos Roberto disse:

    QUERO MINHA IGREJA DE VOLTA…
    SE FOR POSSÍVEL!!!

    “Aborreço e desprezo as vossas festas, e as vossas assembléias solenes não me dão nenhum prazer”
    Amós 5:21

    Dizem que “quem vive de passado é museu”, uma forma simplória de criticar aqueles que se prendem a coisas antigas como algum ponto de referência na vida. Neste caso, sem cerimônia alguma, eu me incluo neste conceito, mas com um adendo, para mim “recordar é viver…”. Sei que por esta razão para muitos sou ultrapassado, careta, um quadradão. Prefiro ser quadrado a ser redondo e rolar pelas vielas da vida religiosa indo de um lado para o outro sem ter muita noção do que fazem. Registro apenas que as Escrituras Sagradas existem há algumas centenas de anos, portanto…

    Bem, vamos lá. A história da religião mostra que há alguns anos atrás, não muitos, as igrejas evangélicas eram lugares cheios de pessoas que conheciam a Bíblia de capa a capa, que se portavam reverentemente durante o culto e não raro, as pessoas do mundo admiravam os evangélicos por sua fé e esperança, mesmo nos momentos mais difíceis. Basta retrocedermos um pouco e veremos que os cultos eram cheios de hinos profundamente inspiradores refletindo as “doutrinas fundamentais” da fé cristã. O ofertório era uma demonstração de zelo e gratidão e quando o Pastor subia ao púlpito, todos atentamente recebiam a edificação através de uma pregação “Biblicamente” fundamentada. A mensagem da Palavra era o centro do culto. Esses eram os “crentes” de antigamente.

    Fui á igreja outro dia, sentado nos últimos bancos, me dei ao capricho de “sonhar” já que o que estava acontecendo não me atraía nem pelos olhos, nem pelo coração, muito menos pela espiritualidade. O culto começou com um “período de louvor(?)” com um barulho infernal. Cânticos eram entoados e o povo se movia, batia palmas, gritava no ritmo frenético dos instrumentos, era uma algazarra geral. Havia uma jovem extrovertida que “ministrava” a coreografia e orientava o povo a como proceder durante cada musica executada. Era dia de “batismos”, mas nem parecia tamanha a bagunça e a falta de reverência, a festa solene transformou-se ritual, no mínimo, estranho. Mas, mesmo assim sonhei… Sei que foi utópico, longe de qualquer possibilidade de vê-lo realizado, mas valeu como alerta e como lembrança dos bons tempos daquela igreja.

    Vi aquela igreja onde a BIBLIA foi um dia o centro de tudo! Onde o Pastor “pregava” e não dava aula de “psicologia”; Onde o “pecado” era tratado como tal e não como um simples “desvio de conduta”. Uma igreja onde “louvor” era celebrar a Deus e não um “espetáculo” tecnológico barulhento; Onde o templo era “local de culto” e não uma casa de “shows”; Onde o pregador usava exclusivamente a “BÍBLIA” no púlpito e não um “Notbook”; Onde a reverência era “regra” e não exceção; Onde ouvia-se a “voz de Deus” e não a do povo; Onde era real o “mover do Espírito” e não de pessoas; Onde o “pecado” era combatido e não incentivado sutilmente; Onde havia “adoradores” e não atores ou artistas camuflados; Onde as pessoas iam vestidas para “cultuar” e não para um piquenique; Onde “Jesus” era marca no coração e não uma “tatuagem” na pele; Onde quem tinha “adereços” era a vida e não o corpo; Onde tinha “Embaixadores do Rei, Mensageiras do Rei; União de Jovens” e não um encontro festivo; Onde o povo “lia a Bíblia” e não o que era projetado no telão; Onde as pessoas não eram “filmadas” para serem mostradas para o mundo, mas eram levadas a uma “radiografia” mostrando para cada um os problemas da alma; Onde “batismo” era um momento de reflexão e respeito, não uma festa movida a apitos, buzinas, foguetes e histeria; Uma igreja que “recebia” visitantes e não era ”formada” por eles; Uma igreja que era uma “fonte de água viva” e não uma “cisterna rota”; Onde o “retiro” era espiritual e não uma “festa country”; Onde “Pastor” era um homem de Deus e não um “administrador de negócios”; Onde os crentes “iam à praça” pregar e não “tinham o nome na praça”; Sonhei com uma igreja que “crescia” e não inchava; Com uma igreja que fechava as portas para o Diabo e não colocava “tapetes vermelhos” para recebê-lo. Sonhei… Sonhei em lágrimas ao ouvir o hino “Manso e Suave” com o Pastor fazendo o apelo, num silêncio profundo, para que pecadores se rendessem aos pés de Jesus. Pensei, se isto for sonho, então vou sonhando…

    Subitamente uma “salva de palmas”, “apitos” e “assobios” interrompeu o meu sonho e me despertou. Que susto! Por um momento não me dei conta de onde eu estava tamanha a desordem naquele local de culto. Para minha tristeza eu acordei… Mas sonhei e sonhar não custa nada! Coincidentemente era dia de “batismos” e o povo comemorava, como se fosse num campo de futebol, a chegada de mais um grupo. A propósito havia muita gente vestida a caráter para de fato ir a um estádio, curiosamente eram os que mais faziam barulho. Depois do culto, veio o “foguetório”, tudo em nome do Evangelho. Era a igreja do século XXI e as suas novidades na forma moderna de cultuar. Eu me perguntei, foi um sonho ou seria um pesadelo? Seria um conto de fadas do passado? Lembrei da Bíblia e dos batismos citados por ela e não consegui ligar uma coisa a outra. Alguém se esqueceu de “lembrar” ao povo que eles estavam dentro de uma igreja, que ali era um templo e não um estádio!

    “Celebrai com jubilo ao Senhor… Servi ao Senhor com alegria…”, não significa que devemos fazer algazarra ou nos postarmos com irreverência, pelo contrário, “jubilo” e “alegria” devem ser expressos num sentimento de contrição, respeito e de “ADORAÇÃO” a Deus.

    Hoje as igrejas mudaram muito. E como mudaram! Os evangélicos são vistos como mais uma “tribo urbana”, assim como os surfistas ou os hippies, que tem musica própria, gírias e slogans próprios. O momento de destaque no culto já não é mais a meditação na Palavra de Deus, proclamada por um Pastor bem preparado teologicamente, mas sim o momento de “louvor” produzido pelas mais novas tecnologias do mercado. Não se pede mais nada a Deus, decretam coisas para ele fazer da maneira mais arrogante possível. Descaracterizaram o culto, sob a desculpa de “quebrar a religiosidade” dando a ele todas as características de “show”.

    Basta! Quero minha igreja de volta! Quero sim, e com cara de igreja não como “casa de espetáculos”. Quero os cultos reverentes, o povo sedento por aprender a Palavra de Deus, o sentimento de contrição e submissão diante do Deus Soberano e Criador de todas as coisas. Quero de volta o tempo em que os cultos racionais eram “regra” e não “exceção”. Quero de volta a centralidade da Bíblia e não a busca de “revelações dos últimos dias”. Quero de volta o tempo que ser Pastor era ser um religioso consagrado e não um empresário eclesiástico.

    Como disse, prefiro continuar “quadrado”, pois tenho muitas duvidas sobre esta igreja liberal de hoje lotada de “crentes redondos”. Assim, depois de sonhar, desculpem, mas eu quero a minha igreja de volta!

    Carlos Roberto Martins de Souza
    crms2casa@hotmail.com

  2. 2. jonas sampaio souza disse:

    Realmente o que o irmão disse e pura verdade.
    Vamos repensar o modelo de culto.ou seja voltar a cultuar a Deus!como
    a biblia ensina.

  3. 3. Rosiane Oliveira disse:

    Estou maravilhada com esse cometário sobre o crete barulhento… reamente as igrejas precisa trocar o fogo pela adoração, pois o fogo siboliza o juizo de Deus e Deus habita no meio da adoração seria bom todos ter acesso a essa realidade…a realidade que a biblia encina

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