fev 14

concordomcom o Richard Bach

Certa vez, estava lendo Richard Bach, um dos seus livros mais conhecidos, chamado ILUSÕES. Passei muitos minutos num dos seus pensamentos: “O Pecado original é limitar o ser. Não o faça!”. A princípio fiquei assustado. É uma modificação da história bíblica, da verdade sobre o homem e sua história e uma bomba desagregadora na teologia. Mas, a gente precisa saber ler as entrelinhas. Comecei a perceber o que ele estava querendo expressar com isso. O pecado, de fato – não o original, pois este é este – é você limitar o ser humano, impedir que este tenha espaço para “ser” quem realmente é.

O que nós lemos

Há irmãos que não lêem nada que não seja escrito por pastores, padres ou alguém que não ofereça “perigo” em reprogramar as suas mentes. Penso ser completamente insano – esta palavra estamos usando muito – o que andam pregando por aí. Um cristão que só ouve música evangélica, só lê artigos evangélicos, só namora com evangélicos, só se relaciona com evangélicos… e o mundo, onde fica? E a sua missão de, mesmo não pertencendo ao mundo, evangelizá-lo? E o seu testemunho é dado pra quem? Para a igreja? Não seria isso mais parecido com conduta de seita do que um pensamento maduro de alguém em quem Deus opera e dirige?
Posso receber críticas pela maneira ousada que escrevo, por abordar assuntos que são delicados, que põem ou podem pôr em risco a falsa segurança dos que pensam que estão “muito bem, obrigado” entre as quatro paredes das suas igrejas – e frise-se: sob uma porta de aço bem fechada, para que o local fique hermeticamente lacrado para impedir a “contaminação” com os “do mundo”. Ah, meu Deus, o que o pecado original veio trazer para nós… Uma confusão danada, uma dificuldade de conhecer a verdade e uma incrível facilidade em distorcer os fatos.

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Que medo nós temos?

Querido amigo, vamos esclarecer as coisas… Pecado é pecado! Não tem pecadinho, pecadão, meio-pecado ou atenuante. Deus nunca faria um joguete conosco, negociando permissões em troca de “rezas ou orações”, – utilize o termo que preferir, são sinônimos!!!” – ou muito menos Se deixa barganhar por piedade de nós ou por precisar dos nossos favores, da nossa presença dentro dos templos enchendo os cultos para fazer bonito e as pessoas perceberem que “vale a pena ser crente”. Isso eu atesto. Vele a pena, sim! Mas é preciso ter maturidade para entender as verdades do evangelho, ter a sensibilidade do espírito Santo para perceber a perfeita, agradável e boa vontade de Deus. O texto diz assim:

(Romanos 12:2) E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Uma exortação clara! Não vos conformeis, mas transformai-vos… A primeira transformação deve ser a do coração. A gente precisa descer do salto e ver o semelhante com carinho, bondade e demonstrar amor.
Muitos de nós saímos dos cultos cheios de razões e com uma teologia moralista que oprime aquele que está do lado de fora, seja por qual motivo. Entenda, por favor. Não estou querendo dizer “liberou geral, galera…!!! Deus é Pop!!!”. Nada disso! Deus é Senhor! Nós somos os Seus servos. Paulo nos ensina: Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém… Vamos ler: Em 1 Coríntios 6:12, encontramos:

Alguém vai dizer: “Eu posso fazer tudo o que quero.” Pode, sim, mas nem tudo é bom para você. Eu poderia dizer: “Posso fazer qualquer coisa.” Mas não vou deixar que nada me escravize.

Pecado é tudo aquilo que desagrada a Deus.

Pecado, de fato, é tudo aquilo que desagrada a Deus. Vale a pena repetir. Se formos falar de uma maneira mais humana e menos teológica, é tudo aquilo que “machuca o coração de Deus”. – Por caridade, não venha questionar “Deus não tem coração…”, por favor, não diga isso, não… Eu sei que dá pra entender o que eu estou querendo dizer. Quandoa gente ama alguém, por acaso, a gente se emprenha em machucar ou entristecer aquela pessoa? Pelo contrário: Antes de qualquer coisa, zelamos, cuidamos e nos empenhamos em agradá-la. Nos adiantamos em fazê-la cada vez mais feliz. Quando se trata do amar ao maravilhoso Deus a quem servimos, não pode ser diferente. Pecado é pecado porque nos afasta de Deus, coloca-nos distante da luz, distante do Senhor.

O pecado, de fato, é “LIMITAR” o ser humano

Voltando ao Richard Bach, penso que ele conseguiu, com maestria, traduzir a definição de pecado numa “outra oitava” – falando para músicos – que quer dizer nada mais, nada menos que a mesma coisa… quando eu imponho regras – e regras duras – a uma pessoa, quando eu não a compreendo, não demonstro compaixão por ela, não demonstro amor para com suas fraquezas, só a critico e imponho aquilo que eu tenho como verdade querendo que ela assimile e pronto, eu estou limitando aquela pobre criatura. Estou tolhendo e reduzindo o seu espaço para que ela “seja”. Ninguém me deu esse direito. Nem a mim nem a ninguém. Evangelizar, nunca foi sair gritando com os outros, apontando seus erros e “pecados”, dificultando ainda mais a vida da pessoa. O evangelho é claro! Não se negocia não se modifica nem se adapta. Mas nós precisamos nos espelhar nas diferentes formas que Jesus pregou a Palavra, como Ele abordou prostitutas, ladrões, falsários… … tantos pecadores, tantos pecados-destaque diferentes. Tantas manchetes diferentes. Tantas realidades diferentes… Mas o mesmo Deus, que não muda, amou, amou, amou… demonstrou não só justiça, mas, acima de tudo, misericórdia. Penso que sejam exemplos para que sigamos. Nosso mundo sofre. Nós podemos colaborar aumentando ou não este sofrimento. Ou continuamos com críticas pesadas, batendo o martelo – utilizando a bíblia para isso – e mostrando menos piedade, menos amor, menos misericórdia, ou podemos chegar junto, amar o pecador e rejeitar o pecado. Cabe a nós.

dança
Concordo, sim com o Richard Bach. O pecado é limitar o ser. Não o pecado original – acho que isso pode causar confusão – , mas o pecado em si, o pecado do dia a dia, o pecado de todas as horas, o pecado a que cada um se expõe ao manter-se preso às “doutrinas sectárias” mas distante de Deus. Quem diz amar a Deus mas odeia o seu irmão é mentiroso. Veja o texto na íntegra: 1 João 4:20:

Se alguém diz: “Eu amo Deus”, mas odeia o seu irmão, é mentiroso. Pois ninguém pode amar Deus, a quem não vê, se não amar o seu irmão, a quem vê.

Concluindo…

Concordo com o Richard Bach. Bom seria se a gente aprendesse, dentro das igrejas a pensar e não a engolir simplesmente o que jogam, muitas vezes para a multidão (que não significa ser povo de Deus) – não estou generalizando, não, viu? – sem fazer a menor reflexão, sem usar o senso crítico ou mesmo o bom senso. Concordo com o Richard Bach. É pecado limitar o ser humano. É desumano ficar de tocaia na vida dos outros. Por que não amá-los, em vez disso?. Se continuarmos a agir assim, como levaremos estas pessoas até Jesus? Como crerão? Como “mudarão” suas vidas?

Dúvidas, broncas, sugestões, mande um email para o autor:
musse@aguaviva.org.br

escrito por Musse Jereissati
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