
Se a Daniela Mercury soubesse que ela encanta ao cantar “Pensar em você”, acho que nunca mais deixaria de incluir esse estilo em seu repertório. Todo artista tem sua identidade. A Daniela tem e isso é indiscutível.
Mas há alguns ângulos onde a pessoa fica melhor na foto. Com certeza, quem já ouviu “Pensar em você”, além de se encantar com a letra – que é linda e apaixonada – se emociona ao escutar a bela voz da cantora baiana. Sua interpretação é magnífica! Quem estiver estudando música, dê uma olhadinha com carinho nesta composição. Vou até indicar o álbum, pois essa música o paga, por essa faixa, vale o CD! O arranjador foi extremamente feliz ao montá-la: um piano, uma orquestra de cordas – senti falta do violoncelo mais presente – e um sintetizador(pelo menos é o que parece ser), já que ela mescla os estilos e não dispensa o eletrônico.
Vamos ver a letra:
É só pensar em você
Que muda o dia
Minha alegria dá pra ver
Não dá pra esconder
Nem quero pensar se é certo querer
O que vou lhe dizer
Um beijo seu
E eu vou só pensar em você
Se a chuva cai e o sol não sai
Penso em você
vontade de viver mais
Em paz com o mundo e comigo
Se a chuva cai e o sol não sai
Penso em você
Vontade de viver mais
Em paz com o mundo e consigo
Letra de Chico César.
Não fala de Deus, nem fala em Deus. Antes que as críticas cheguem – e são bem vindas – vamos logo explicar que este autor não tem a intenção de escrever um artigo “sacro”. Nem passa por sua cabeça fazer propaganda de quem não precisa.
Analisando a discografia cristã, percebe-se uma invasão de instrumentos, ritmos e estilos. Eles têm sido levados para os lares dos crentes e para as suas igrejas. As letras dizem sempre a mesma coisa e a ministração parece seguir um roteiro.
A questão, não é usar ou não usar determinado instrumento. Muito menos ministrar dessa ou daquela maneira. Mais uma vez, alerta-se para a qualidade técnicas e espiritual. Os talentos humanos, submetidos ao querer do Espírito, tornam-se ferramentas maravilhosas para o louvor e para o evangelismo. O povo que compra o CD cristão tem gosto e quer coisa boa. Vamos separar as coisas e valorizar aquilo que merece valor, ou seja, aquilo que é realmente bom e que edifica.
Quem lida com música precisa ouvir música. Tem que ser BOA música! Conhecer a MPB e o que há de bom fora dos muros das nossas igrejas é salutar e ajuda a expandir o nosso conhecimento, alargando nossas mentes e nos fazendo melhores como gente.











03/04/2009 - 8:34
Estou plenamente de acordo contigo, Musse.
Em muitos dos CDs cristãos de hoje em dia há uma verdadeira Babel de sons – instrumentos, vozes e arranjos – que em vez de embelezar a canção acabam fazendo um verdadeiro “samba do crioulo doido”. Na contramão disso, diversos artistas da nossa MPB optam pelo minimalismo sem descuidar da qualidade musical, mostrando categoricamente que “menos é mais” (vide Marisa Monte, Adriana Calcanhotto, Flávio Venturini…).
E diria mais: quem trabalha com música não pode ter preconceitos estilísticos. Escuto muitos colegas de ministério proclamarem em alta voz: “não suporto forró”, ou “tal estilo não me agrada”… Penso que, enquanto músicos – profissionais ou eventuais – deveríamos saber apreciar a música em sua estrutura, sua execução, seu conteúdo, e não apenas nos deter em estilo “A” ou “B”. A música BOA independe do estilo, e por isso temos que ter uma cabeça mais aberta para que possamos discernir aquilo que, de fato, é bom.
Isso sem falar que cultura musical é fundamental para um bom ministro de música!
A música cristã tem evoluído bastante em qualidade, mas ainda sofremos um pouco com os modismos e os excessos em nossos CDs. Aí, não há “unção” que aguente…
Grande abraço!